
Começa assim o ano. Acaba assim a corrida. Esta.
Faz este mês de Janeiro quatro anos que entrámos, pela primeira vez, nesta corrida e que fiquei fascinado pela beleza e desafio que representaram.
Voltei e tudo está quase na mesma. Chuva, vento e frio continuam a guardar esta serra que não seria a mesma sem estas características. Também, qual seria a piada de andar a subir e a descer a serra de Sintra com sol e calor...?? Quem não gosta de correr enquanto é salpicado pela chuva, ensopado pela água e lama e travado pelo vento nas subidas? E falo sem ironia, com a convicção pura de que, sem eles, a corrida não seria a mesma e a chegada não saberia tão bem.
Por isso, este ano não foi excepção e lá encontrámos o clima usual para este evento. Já não me lembrava da dureza desta prova e tive que me convencer que a organização alterou o percurso, para não me sentir derrotado. Porque custou-me bastante. Senti-me cansado, com vontade de voltar para trás e, quanto mais avançava, mais tinha aquela sensação de que estava a ficar entalado porque já nem para trás nem para a frente! Felizmente fui ao arquivo vasculhar os ensinamentos ancestrais e mentalizei-me que metade do sucesso está na cabeça. Fiz metade da corrida com o corpo e a outra metade com a carola. E, como demonstra a prova documental anexa, também cheguei ao fim, com um tempo que até me surpreendeu, tendo em conta todo o processo que me levou até lá. Digo "cheguei" porque quanto ao meu companheiro não é preciso comentar, era o que mais faltava não chegar!
É pena notar que a crise chega a todo o lado, até ao cabo da roca. Apesar de não ter encontrado a fartura de outrora no "cumbíbio" final, não é isso que conta. O que conta é participar.... (não é nada.... é fazer melhor tempo que os outros, mas enfim, achei que ficava bem acabar com essa).
Agora é esperar até chegar ao Atlântico!



